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16 de jul. de 2010

DAWKINS: OCUPADO DEMAIS


Em vídeo postado no youtube, um rapaz se dirige a Richard Dawkins com a pergunta que não quer calar: se Dawkins é o apologeta ateu mais conhecido, e se William Lane Craig é o seu contraponto do lado cristão, por qual motivo o autor de Deus: um delírio continua recusando-se a debater publicamente com Craig? O próprio inquiridor expõe que William Lane Craig já convidou o cientista várias vezes para um confronto de ideias. Dawkins arrogantemente responde que sempre quis debater com padres, bispos, papas; mas não lhe agrada a ideia de debater com um criacionista que é conhecido como debatedor profissional (bobo ele não é...) e ainda diz que o oponente tem que ser mais do que isso, afinal, ele é um homem muito ocupado!

Não escondo que achei graça na resposta de Dawkins. Para quem dizia, até pouco tempo, que jamais debateria com criacionistas “para não lhes dar um verniz de credibilidade”, o biólogo anda arranjando desculpas demais para não ter de encarar os oponentes. Se em seu recente livro O maior espetáculo da Terra, Dawkins afirma que os criacionistas negam o processo evolutivo como quem nega que, por exemplo, que a Independência americana aconteceu, parece-me que ele teria motivos sobejos para esfregar suas aclamadas certezas no focinho de qualquer “retrógrado” defensor da Terra Jovem. Não é o que parece.

Se Dawkins conhece somente a fama de orador de Craig, alguém precisa lhe informar o currículo completo do desafiante com urgência. William Lane Craig possui dois PHDs, um em Filosofia pela Universidade de Birmingham (Inglaterra) e o outro, em Teologia pela Universität München (Alemanha). É especialista em evidências históricas da Ressurreição de Cristo, estudos do Novo Testamento e possui conhecimento na área de Cosmologia, Filosofia Clássica e Lógica. Se a hesitação de Richard Dawkins se devia à qualificações acadêmicas de Craig, problema resolvido!

Seria muito oportuno um confronto direto entre estas duas mentes. No entanto, penso que, a julgar pelo desempenho claudicante de Dawkins durante o debate com John Lennox, o rabugento ateu tem outras razões para evitar o confronto com Craig: suas próprias limitações. Parece que quando o adversário não é o pároco simplório da sul da Itália, é melhor não arriscar...

Questão de Confiança

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4 de fev. de 2010

HITLER E DARWIN

Traudl Junge, secretária de Hitler durante a 2ª Guerra, relata no livro Até o Fim (Ediouro) suas impressões a respeito do Führer enquanto conviveu com ele e seus colaboradores na “Toca do Lobo”, como era chamado o quartel-general nazista. Toda a informação que podia obter da guerra era cuidadosamente fornecida pelo próprio Hitler e seus imediatos, que faziam questão de transmitir a maior tranquilidade e segurança. Tendo vivido nesse período cercada de conforto e amenidades, Traudl conta que, ao fim da guerra, enfrentou imensa dificuldade para acreditar que Hitler, uma pessoa extremamente cortês e paternal, pudesse ter cometido tamanhas atrocidades. Passou anos do pós-guerra procurando entender como é que havia sido “tão ingênua e alienada durante o período em que esteve tão próxima do centro das decisões”, segundo o texto da contracapa do livro.

Foi com muita dificuldade que chegou à conclusão de que havia sido mesmo contaminada pelo incrível poder de sedução do grande líder. Aliás, essa foi uma de suas motivações para escrever o livro a partir de seus diários. Ela queria alertar para o fato de que o poder sedutor de líderes fanáticos jamais pode ser subestimado.

Uma de minhas filhas leu todo o livro e recitou alguns trechos em voz alta para mim. Achei o livro muito interessante. O que mais me impressionou foi este trecho, que descreve um dos momentos corriqueiros passados por Traudl com Hitler (e Eva Braun) na “Toca do Lobo”, quando o ditador confessa sua filosofia de vida e seu relacionamento para com a religião:

“[Hitler] não tinha qualquer ligação religiosa; achava que as religiões cristãs eram mecanismos hipócritas e ardilosos para apanhar incautos. Sua religião eram as leis da natureza. Conseguia subordinar seu violento dogma mais facilmente a elas do que aos ensinamentos cristãos de amor ao próximo e ao inimigo. ‘A ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre a raiz que determina a espécie humana. Somos provavelmente o estagio mais desenvolvido de algum mamífero, que se desenvolveu do réptil a mamífero, talvez do macaco ao homem. Somos um membro da criação e filhos da natureza, e para nós valem as mesmas leis que para todos os seres vivos. Na natureza a lei da guerra vale desde o começo. Todo aquele que não consegue viver, e que é fraco, é exterminado. Só o ser humano e, principalmente, a Igreja têm por objetivo manter vivos artificialmente o fraco, o que não tem condições de viver e aquele que não tem valor” (p. 104).

Fica claro aqui que o conceito de luta das espécies e da sobrevivência do mais apto foi aquilo que lhe permitia matar sem problemas de consciência (aliás, existe consciência sob a ótica darwinista?). É o mesmo pensamento evolucionista que também leva à ação aqueles que estão por aí, não tão famosos quanto Hitler, mas, como ele, desejando ser mais fortes, subjugar ou destruir os mais fracos e levar vantagem em tudo, sem qualquer pudor ou dor de consciência. Eles estão no meio político, no transito, na vida do crime, na economia e até nas empresas. Não existe esperança para um mundo que, no fundo, está sendo dominado por esse tipo de ideia. Mais cedo ou mais tarde, se nada diferente acontecer, ele se autodestruirá!

No conceito evolucionista a ética é vencer. Roubar pode, desde que você não seja pego. Quem rouba sem ser descoberto é vitorioso. Mas se você é descoberto, foi bobo e perdeu. É a sobrevivência do mais apto, nem que seja para roubar. E matar? É lógico que isso também não é errado. Aliás, dentro do conceito evolucionista, não existem absolutos, nem certo nem errado. Existe, sim, o forte e o fraco. Quem pode mais, chora menos. Juízo, julgamento superior, como ensina a Bíblia, não existe. Então, vão prestar contas para quem? Tire a Deus da vida e tudo vira certo, desde que seja “para o meu lado”. E como o evolucionista não crê em Deus... É tudo puro incensário ao egoísmo! Vamos esperar para ver quem estava certo...

Em um curso de que participei, uma professora evolucionista chegou ao cúmulo de afirmar que o incesto só seria errado nas sociedades que assim o convencionaram, como, por exemplo, a nossa (ufa!). Mas, dentro do conceito evolucionista (amplamente aceito em nossa sociedade), a pedofilia não seria uma atitude errada, desde que seja algo bom para você, e se você não for descoberto. Como explicar para um evolucionista o erro da pedofilia? Morte, acompanhada de violência sexual (necrofilia), também pode (lembra-se do Maníaco do Parque?). É simplesmente a lei do mais forte. É assim que funciona a natureza. Era assim a mente de Hitler.

Se um rapaz evolucionista se casa com uma linda garota, mas depois se depara com uma “espécime” mais apta, ou seja, que lhe chame mais a atenção, tchau... Esse mesmo pensamento de Hitler é o que está por trás das invasões das propriedades alheias, que vemos em nosso país. Nesse caso, claro que as invasões são realizadas a despeito das leis do país, mas... (é o evolucionismo mostrando as garras).

Preciso reconhecer que Hitler e Darwin não estavam completamente errados. Existe mesmo hoje uma tremenda competição na natureza, com a sobrevivência do mais apto. Só faltou para eles a análise da hipótese de que, como diz a Bíblia, as coisas não foram sempre assim, e, segundo eu também creio, não o serão. (Se você não acredita, vamos ter que esperar para ver.) Eles não analisaram a possibilidade de que, segundo a Bíblia, Deus tenha criado um universo perfeito, e que o seu perfeito amor estaria baseado na liberdade de escolha (livre arbítrio). Eles também não sabiam que onde existe livre-arbítrio, existe a possibilidade de se divergir e de trair. De acordo com a Bíblia, Deus nunca criou autômatos, mas seres livres, pensantes.

Lá está escrito que um desses seres livres resolveu se rebelar. Deus é bom, mas não é leniente. Sendo então expulso do Centro de Comando do Universo, Lúcifer veio à Terra recém-criada e, extremamente sedutor, como seu filho Hitler e todo fanático totalitário, transmitiu sua rebelião aos primeiros seres humanos, que a aceitaram de bom grado, afastando-se do Criador.

Como aquilo que aconteceu entre Traudl e Hitler, nem imaginavam o que estava por trás daquela fala tão mansa. E quando se afastaram de Deus e se apegaram ao rebelde, desligaram-se da fonte da vida. De acordo com a Bíblia, todo o mundo natural sofre por causa disso. As pessoas morrem, as coisas envelhecem, apodrecem, se estragam, as flores murcham, etc. É por isso que existem “Hitlers” e guerras até hoje.

Deus poderia ter destruído todos os rebeldes, inclusive o chefe deles, e acabar com todas as consequências ruins e tristes que a gente vê por aí. Mas aqueles que não haviam participado da rebelião, então, teriam no relacionamento o medo como um árbitro. Seria a violência como forma de pressão para a manutenção do “amor” (tem muita gente tentando manter um relacionamento nessa [paupérrima] base).

Mas Deus sabe que a violência sempre gera rebelião. Ainda que, por falta de condições, não se realize, está lá, dormente, pronta a explodir ao menor descuido. E Deus não queria um amor obrigado. Imagino que deve ter havido desequilíbrio ou perda de energia tal que ocasionou a desorganização e a morte. Para acabar com tudo isso, Ele, o Criador, resolveu assumir essa perda – morrendo! E quem, mesmo ainda hoje, acredita nisso, e utiliza seu livre-arbítrio para escolher se conectar a Ele através da mente, pode receber de volta essa energia. De acordo com o que se sabe, isso ocorre não apenas no nível emocional e espiritual, mas físico também.

Um dia eu também não acreditava. Minha vida era tão ruim que não podia piorar. E eu resolvi experimentar. Uma das bases do método científico não é justamente a experimentação? Então, por que não experimentar orar, ler a Bíblia? Quero desafiar você a justificar sua mente científica, e fazer uma experiência. Não precisa contar para ninguém. Se não acontecer nada, o que você perdeu? Mas se tudo isso for verdade... Sem experimentar, nunca se vai saber o gosto! Hitler não quis.

(Marcos Bomfim é pastor, terapeuta familiar, apresentador do programa “Novo Tempo em Família” da Rede Novo Tempo de Rádio e colunista do site www.outraleitura.com.br)

Lido no blog Criacionismo.
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18 de nov. de 2009

DARWIN INFLUENCIOU A GRANDE MARCHA DE MAO TSE-TUNG

Eu [Enézio] fui ateu marxista-leininista na minha juventude. Darwin sempre foi um ídolo entre os comunistas. Razão? As ideias de luta pela sobrevivência e de que o mais apto sobrevive sempre foram faróis apontando o caminho através da revolução armada para a criação do novo homem. Aqui e ali menciono que ideias têm consequências e que Darwin serviu de influência para Hitler na questão do Holocausto. A Nomenklatura científica rejeita tais "insinuações malévolas" contra o homem que teve a maior ideia que toda a humanidade já teve: a origem das espécies através da evolução por meio da seleção natural.

James Pusey é professor de estudos chineses da Universidade Bucknell. Ele escreveu um artigo para a série "Global Darwin", na Nature de 12/11/09, sobre as reações de Lenin e Mao Tse-tung à obra de Darwin. Como era de se esperar, Pusey passa por cima das atrocidades que esses homens cometeram em nome de suas ideologias materialistas. Mas aí Pusey solta uma bomba sobre o vácuo criado na China após o movimento de reforma ter fracassado, e em seguida ele trouxe Darwin a lume:

"Muitos tentaram preencher: Sun, Jiang Jieshi (Chiang Kaishek) e, finalmente, o pequeno grupo de intelectuais que, em indignação pela traição em Versalhes, encontraram no marxismo o que parecia para eles a fé mais apta na Terra para ajudar a China a sobreviver.

"Isso não foi, é claro, toda responsabilidade de Darwin, mas Darwin esteve envolvido em tudo. Para crer no marxismo, alguém tinha de acreditar nas forças inexoráveis empurrando a humanidade, ou pelo menos os eleitos, para o progresso inevitável, através de séries de etapas (que poderiam, contudo, ser puladas). Alguém tinha de acreditar que a história era uma luta de classes violenta, hereditária (quase que uma luta 'racial'); que o indivíduo deve ser severamente subordinado ao grupo; que um grupo iluminado deve liderar o povo para o seu próprio bem; que as pessoas não devem ser humanas para com seus inimigos; que as forças da vitória asseguraram a vitória daqueles que estavam certos e que lutaram. Quem ensinou essas coisas para os chineses? Marx? Mao? Não. Darwin."

Fui, nem sei por que pensando que as ideias têm consequências. Não se esqueçam da influência de Darwin no Holocausto de Hitler...

(Enézio E. de Almeida Filho, Desafiando a Nomenklatura Cientifica)

Lido no Blog Criacionismo.
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23 de out. de 2009

A FESTA SEMPRE É BOA ENQUANTO DURA

Novo fóssil põe "elo perdido" sob suspeita

Comparação indica que Ida, esqueleto de 47 milhões de anos [sic] que virou fenômeno de mídia, não é ancestral do homem. Para grupo de americanos, semelhanças com macacos resultam de evolução em paralelo; autor da pesquisa original contesta conclusões



Reinaldo José Lopes escreve para a "Folha de SP":


Um grupo independente de cientistas analisou o fóssil de primata propagandeado em maio deste ano como "o elo perdido" da evolução humana e chegou a uma conclusão não muito empolgante: o bicho é provavelmente só um primo antigo e esquisito dos lêmures. Se eles estiverem corretos, o alarde midiático organizado em torno de "Ida, o elo perdido", ou Darwinius masillae, como o animal foi batizado oficialmente, pode se tornar um dos casos clássicos em que a vontade de chamar a atenção do público atropelou a ciência. Afinal, a descrição científica de Ida foi coreografada com o lançamento de documentários, sites, livros e de um evento para a imprensa [o que já era de se esperar] no qual os pesquisadores responsáveis por estudá-la compararam o fóssil com a Mona Lisa e com o Santo Graal, afirmando que ele mudava tudo o que se sabia sobre a evolução humana.


Devagar com o andor


À época, boa parte da comunidade científica concordou que se tratava de um exemplar belíssimo. Diferentemente dos outros primatas antigos, Ida, com quase 50 milhões de anos de idade, [sic] teve seu esqueleto completo preservado -sem falar na presença de pêlos e até do conteúdo digestivo do animal. Mas poucos concordaram com a sugestão de que o fóssil representava um ancestral direto dos antropoides, a linhagem de macacos que acabou desembocando no homem [sic]. No novo estudo, que está na revista científica "Nature" desta semana, a equipe coordenada por Erik Seiffert, da Universidade de Stony Brook (EUA), compara Ida a uma nova espécie de primata extinto descoberta por eles no Egito. Trata-se do Afradapis longicristatus, que é 10 milhões de anos [sic] mais novo que o suposto elo perdido, mas, ao que tudo indica, é um parente próximo de Ida, a julgar pela análise detalhada da mandíbula e dos dentes da espécie africana (aliás, esses são os únicos materiais preservados do bicho).


Seiffert e companhia também compararam Ida, o novo primata e outras 117 espécies vivas e extintas de primatas, levando em conta uma lista de 360 características do esqueleto. Essa comparação extensa, que não foi feita na descrição original de Ida, ajuda a estimar quais traços dos bichos realmente se devem ao parentesco e permite montar uma árvore genealógica dessas espécies. O veredicto: Ida seria apenas uma prima muito distante do grupo que inclui o homem, estando bem mais perto dos lêmures atuais. As semelhanças superficiais dela com o grupo dos antropoides seriam explicadas por evolução convergente -ou seja, porque ambos os grupos adotaram estilos de sobrevivência parecidos.


Comedora de folhas


"São características relacionadas ao encurtamento do focinho e ao processamento de alimentos relativamente duros, como folhas", explica Seiffert. O pesquisador aponta o que, para ele, foi o principal erro da equipe que descreveu Ida.


"Acho que eles deveriam ter feito comparações mais detalhadas com os mais antigos antropoides indiscutíveis. Eles teriam visto que traços como a fusão das duas metades da mandíbula, que não aparecem nesses antropoides [mas aparecem em Ida], não poderiam ser um elo entre Ida e eles."


Philip Gingerich, paleontólogo da Universidade de Michigan e um dos "pais" de Ida, não concorda. "Acho esquisito que o Afradapis seja muito parecido com os antropoides mas acabe classificado em outro grupo. A ideia de convergência parece implausível", diz ele.


Aliás, argumenta Gingerich, "o Darwinius [Ida] conta com um esqueleto muito mais completo que o do Afradapis, e ele apresenta características adicionais de primatas avançados que não aparecem na análise".


(Jornal da Ciência)

NOTA: Mas uma vez a idéia do "elo perdido" se perdeu ante os fatos... mas para os Darwinistas foi bom enquanto durou.
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11 de out. de 2009

DEPENDE DA INTERPRETAÇÃO

Evolução e religião

Colunista recorre à genômica comparada para apontar limitações e fragilidades do desenho inteligente

O Professor Titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais, Sergio Danilo Pena, publicou um artigo no Ciência On-line comentando sobre as fragilidades e limitações do Desigin inteligente, em uma leitura atenta percebemos que em si ele não mostrou boas fragilidades ou limitações da teoria do DI, apenas mostrou fatos que podem ser interpretados pelas duas teorias (evolução ou criação) de acordo com seu paradigma.

Sérgio trás novamente a questão da comparação evolutiva e diz que "os dados gerados pelo Projeto Genoma em humanos e em outros organismos mostraram que a sequência de DNA do nosso genoma é 99% idêntica à do chimpanzé". Essa informação quando se divulgou de modo sensacionalista gerou até a idéia de que os chimpanzés e o homem deveriam estar no mesmo gênero Homo. [1]

Seria interessante lembra-nos de que essa taxa percentual tende a ser diminuída pelos cientistas evolucionistas para o percentual de 98,5% a 95 % [2]. Isso só para caráter de informação.

Uma equipe dirigida por Morris Goodman realizou um estudo comparando 97 genes de seres humanos, chimpanzés, gorilas, orangotangos, macacos do velho mundo e camundongos. E os Chimpanzés (gênero Pan) revelaram ter maior "similaridade" com os humanos do que os demais. O problema é que o estudo foi realizado com 97 genes, uma quantidade pequena para se tomar uma conclusão tão radical quando se sabe que de modo geral o genoma humano tem pelos menos 30.000 genes, ou seja, a comparação foi feita sobre 0,03% do total!

E ainda que de fato, os chimpanzés em seus genes totais fossem bastante similares aos humanos, isso não quer dizer necessariamente ancestralidade comum, depende de que lentes você usa para interpretar o fato. Dizer que pela similaridade dos genes pode-se afirmar que criaturas tiveram ancestral em comum é uma conclusão, assim como dizer que a evidência aponta também para um Criador comum também está válida, pois se Deus usa das forças físicas, leis biológicas, reações químicas e tudo mais para que sua criação fique perfeita, por que para toda criatura Ele teria de usar métodos diferentes, se uma sequência genética funcionou bem para fazer um animal andar de quatro patas, ter pelos grossos, orelhas esticadas, cascos nas patas e tudo mais, e Deus resolve criar um animal semelhante em características, por que Ele deveria usar outra sequência genética totalmente diferente? Se para o outro animal funcionou e este segundo é semelhante, por que não usar uma sequência semelhante?

Outro ponto é que é bastante interessante selecionar os genes e fazer comparações, pois com a grande quantidade de genes podemos selecionar o que nos dará melhores resultados - os 0,003% de todo o código - e excluir o restante, se usarmos esse método, até mesmo as bananas tem 100% do mesmo código que os humanos, Steven Jones afirma que as bananas tem 50% de seus genes compartilhados com os seres humanos.

O fato é uma coisa, a interpretação que se atribuí depende do paradigma que se acredita.

Pena que esses detalhes não são transmitidos ao público, logo eles só podem acreditar em uma informações com roupagem de ciência infalível e imparcial.

E é claro, Sérgio mencionou os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos da publicação da Origem das espécies. E diz que afirmar que “Darwin matou Deus”, é pura besteira. Sérgio tenda argumentar sobre a religião e a evolução, ainda diz: "O que considero necessário não é a ciência da evolução se modificar com o objetivo de se tornar palatável para algumas crenças religiosas. O importante é que as religiões adaptem suas doutrinas para lidar com a realidade da evolução, assim como tiveram de se adaptar à teoria heliocêntrica do Sistema Solar 500 anos atrás."

As pessoas nunca esquecem situações como esta sobre a teoria heliocêntrica, e ela sempre serve de argumento para os críticos da religião, apenas lembro que Deus não fez uma Criação em que tudo é explicado pelo sobrenatural, Ele criou uma natureza passível de ser estudada, e deixou que aos poucos o homem fosse descobrindo essa criação através do estudo, Ele não fez Adão e o dotou com todo conhecimento sobre a natureza, Adão teria de aprender. Da mesma forma como Sérgio cita Isaac Newton em seus estudos sobre o sistema solar e chegou a conclusão de que é necessário a intervenção de um Ser Poderoso, e depois LaPlace desenvolve seu estudo sobre a estabilidade do Sistema solar e relata que não havia necessidade de Deus, esquece Sérgio que Deus pode ter feito todas as coisas com suas leis fixas, sua própria palavra diz: "Assim diz o Senhor: Se o meu pacto com o dia e com a noite não permanecer, e se eu não tiver determinado as leis fixas dos céus e da terra, também rejeitarei a descendência de Jacó, e de Davi..." (Jer. 33: 25-26).

Assim como a Bíblia já afirmava que a terra era arredondada (Isa. 40: 22) Também já dizia que existem leis fixas nos céus e na terra.

Sérgio também tenta argumentar ainda sobre a dificuldade de se explicar certos sistemas complexos, como o olhos por exemplo, mas não apresenta limitação alguma ou fragilidades na teoria do DI, apenas mostra suas concepções em relação as afirmações do DI.

Pena ainda fala sobre a questão de que artigos são publicados contra a teoria da evolução, e ainda observa que são feitas por pessoas que nunca leram Darwin, podemos também inverter o jogo e dizer que existem críticos que nem se quer estudam sobre o criacionismo ou o DI tão pouco leem a Bíblia, e ainda assim a chamam de "escrituras milenares de origem obscura".

Referências

[1] Nota publicada no Proceedings os the National Academy of Sciences, nos EUA.
[2] Ver Greater than 98% Chimp/ human DNA similatity? Not and more.

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30 de set. de 2009

INTOLERÂNCIA, OFENSAS, IMPARCIALIDADE E ALIENAÇÃO

O Observatório da Imprensa publicou um artigo intitulado "Corrigindo um equívoco" de Rubens Pazza, onde ele pede desculpas a Ligia Hougland por ter feito uma crítica ao seu artigo de título "Descoberto fóssil que altera teoria sobre dinossauros".

Rubens dirige sua crítica ao fato de que foram usadas expressões que deixam a entender uma criação dirigida, intencional, como o termo "perfeitamente criado". Diz ele que o artigo com as expressões que continham estava "induzindo a um criacionismo ou mesmo ao famigerado 'desenho inteligente'." Por telefone ele e Ligia Hougland concertaram o mal entendido, a própria Ligia afirmou não ser criacionista.

Lendo o artigo "Corrigindo um equívoco" ficou perceptível para qualquer um o quanto alguns cientistas são tão presos a paradigmas que usam mesmo da intolerância quando sua visão é confrontada, o que me fez lembrar de Richard Dawkins quando admite por email para Phillip Johnson que os darwinistas estão fortemente ligados a um materialismo, diz Dawkins: "[Nosso] comprometimento filosófico com o materialismo e o reducionismo é verdadeiro (...)". Fica evidente que um considerável número de cientistas estão - assim como aparenta Pazza - presos a um paradigma materialista filosófico, e como bem falou Phillip Johnson: "Um materialista verdadeiro irá aceitar até mesmo loucura se a única alternativa for desistir do materialismo".

Ainda é interessante ver que o ego de cientista de Rubens Pazza foi ofendido ao achar que o artigo de Ligia deixava transparecer o criacionismo ou o design inteligente, entretanto usar o termo "criacionista" para taxar alguém como se isso fosse uma ofensa é inacreditável, ou melhor, está ficando perfeitamente acreditável. É o típico argumento Ad Hominen, atacar a pessoa taxando de "criacionista" e deixar de dar atenção ao que ela tem para apresentar.

Outro ponto desconcertante é a afirmação sobre a divulgação da teoria criacionista, Pazza diz que "tais argumentos frequentemente são embasados em livros publicados ou artigos publicados em websites criacionistas, nunca em artigos científicos publicados em periódicos peer reviewed." Assim ele até parece entrar em contradição, pois primeiramente luta contra a publicação feita por haver pensado que induzia ao criacionismo, depois aponta como ponto de incredibilidade o fato de que o criacionismo não é divulgado nos periódicos mas conhecidos, que devemos lembrar são fortes defensores do evolucionismo. Então como esperar esse espaço com essa imparcialidade, a quem os criacionistas devem procurar como meio de divulgação? A National Geografic? Sugiro que quando os meios ficarem menos imparciais e com a mente mais aberta, haverá melhor oportunidade.

Rubens Pazza ainda aconselha "que o jornalismo científico deve ser extremamente cuidadoso", em outras palavras, intolerante e imparcial com o que for contra a teoria evolucionista. Agindo dessa forma o que devemos esperar dos meios de comunicação científicos? Nada que confronte a teoria dominante (evolução) deve ser divulgado, isso é imparcialidade, nada que aparente está ligado a religião deve ser acatado, isso é intolerância, os meios não divulgam artigos que transpareçam o criacionismo, mas divulgam artigos que deixam - de forma direta ou indireta - explícito que ser criacionista é irracional, ou uma ofensa ao meio científico, e se a única coisa que pode ser divulgada sem encontrar barreiras é uma visão aceita pela comunidade científica mesmo com todas as suas falhas e impossibilidades, sem que as pessoas tenham direito a conhecer outro ponto de vista, isso é alienação.

Lembro de Francis Crick quando diz: “Os biólogos devem sempre ter em mente que aquilo que vêem não foi planejado, mas que evoluiu". Ou seja, não se pode pensar diferente.

Rubens ainda termina seu artigo afirmando que a "evolução é fato", no entanto contra fatos na há argumentos, e contra a evolução há argumentos, logo ela não é um fato.

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25 de set. de 2009

Surgem as penas e até sistemas de voo, mas nada de intermediários...

Fóssil de dinossauro alado comprova parentesco com pássaros.

Esse é o Título dado pela BBC ao artigo sobre o Anchiornis, a última descoberta que segundo alguns pesquisadores comprova que os dinossauros evoluíram para os pássaros. Segue abaixo toda a notícia:

Fósseis extremamente bem preservados de dinossauros achados no nordeste da China mostram os exemplos mais antigos de penas já encontrados e representam a prova final de que os dinossauros eram ancestrais dos pássaros, segundo cientistas.


Os fósseis têm mais de 150 milhões de anos [sic]. As espécies são indubitavelmente mais antigas do que o Archaeopteryx, encontrado na Alemanha, que vinha sendo tido como o fóssil de pássaro mais antigo já encontrado. A descoberta foi descrita por Xu Xing, da Academia de Ciências Chinesa, em Pequim, e sua equipe na revista especializada Nature.


A teoria de que os pássaros evoluíram dos dinossauros sempre foi posta em dúvida por causa da ausência de penas em espécies mais antigas do que o Archaeopteryx. Mas os novos fósseis, encontrados em duas localidades diferentes, são, em sua maioria, pelo menos 10 milhões de anos [sic] mais velhos do que o do pássaro encontrado na Alemanha, no fim do século 19. Um dos dinossauros, batizado de Anchiornis huxleyi, está extremamente bem conservado, dizem os cientistas. O dinossauro tinha extensa plumagem cobrindo seus braços e cauda e os pés – formando quatro asas.


‘Extremamente excitante’


“A primeira espécie descoberta no início do ano estava incompleta”, disse Xu à BBC News. “Com base neste espécime, nomeamos o dinossauro Anchiornis; pensamos que era um parente próximo dos pássaros. Mas então encontramos o segundo espécime, que estava bastante completo – e bem preservado.”


“Por todo o esqueleto, você vê penas.”


“Com base neste segundo espécime, nos demos conta de que esta era uma espécie muito mais importante, e definitivamente uma das espécies mais importantes para entendermos a origem dos pássaros e de seu voo.” O professor Xu acredita que a forma de quatro asas pode ter sido um estágio muito importante na transição evolucionária dos dinossauros para pássaros.


Os detalhes das últimas descobertas foram apresentados nesta semana no encontro anual da Sociedade de Paleontólogos de Vertebrados, na Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha. O renomado paleontólogo britânico Michael Benton disse que o anúncio é de grande importância.


“Ao desenhar a árvore da vida, é bastante óbvio que há registros de fósseis com penas anteriores ao Archaeopteryx”, disse ele à BBC News. “Agora essas novas descobertas fantásticas do professor Xu Xing provam isso de uma vez por todas.”


NOTA: O artigo menciona a questão de que "a teoria de que os pássaros evoluíram dos dinossauros sempre foi posta em dúvida (...)", e apresenta a "ausência de penas em espécies mais antigas do que o Archaeopteryx" como causa da dúvida. No entanto não é apenas isso. O fato é que quando um fóssil é encontrado e mostra ter sido uma criatura com penas, ele não é um intermediário, pelo contrário, seu sistema já se encontra pronto, se ele voava o seu sistema de voo com penas e tudo o mais estava perfeitamente completo, sem nenhuma parte faltando, seu corpo estava feito para o voo e suas penas já na forma ideal, não havia nada de inacabado nem com sinal de transição.

A mesma coisa se dá com os insetos, seu sistema de voo é encontrado já perfeitamente pronto e acabado, tanto que o que o zoologo Pierre Grasé (evolucionista) afirma: "
estamos no escuro no que diz respeito à origem dos insetos". Lembrando que há a teoria de que dinossauros perseguindo insetos, moscas e besouros voadores começaram a sofrer adaptações como levantar os braços dianteiros na perseguição a moscas e então adquiriram asas, ai gera-se outra pergunta: e os sistema de voo dos insetos?

Levamos ainda em conta que assim como encontramos no registro fóssil tartarugas com 100 milhões de anos (segundo a evolução) idênticas as de hoje, também encontramos penas, inclusive algumas bem mais sofisticadas.


Alan Feduccia, da Universidade de Carolina do Norte é ornitólogo, e opõe-se a teoria da transição dos dinossauros para pássaros, "Bem, tenho estudado durante 25 anos crânios de aves, e não vislumbro qualquer similaridade. Simplesmente não as vejo... A origem terópoda das aves, em minha opinião, será a maior dificuldade da Paleontologia no século XX", diz Feduccia.

As penas são um complexo muito peculiar, e se as aves vieram dos répteis, então as penas devem ter alguma ligação com as escamas, no entanto semelhança alguma existe, tanto que A. H. Brush, professor de Fisiologia e Neurobiologia da Universidade de Connecticut diz que "todas as caracterísitcas [entre penas e escamas], desde a estrutura e organização genética, até o desenvolvimento, morfogênese e organização dos tecidos é diferente". Não existe um único fóssil que mostre a transição das penas de qualquer outra coisa, elas aparecem prontas no registro fóssil, sem falar que nunca foi relatado uma única estrutura epidérmica nos répteis que possa proporcionar a origem das penas.

O provável é que tal descoberta seja assim como o
Archaeopteryx, apenas uma ave com características distintas.
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27 de jul. de 2009

Briga de titãs

(Correio Brasiliense)

Discussão entre adeptos da teoria da evolução de Darwin e defensores de um criador divino abala até estudantes e professores da área de ciências biológicas.

Por Tatiana Sabadini.

De um lado, a ciência. Do outro, a religião. Duas formas de responder a uma única pergunta: qual é a origem da Terra e da vida? Há 150 anos, Charles Darwin revelava ao mundo que o homem veio do macaco, que os seres vivos fazem parte de um longo processo de evolução natural. O anúncio causou polêmica. Até então, Deus era considerado o responsável pela criação do homem e do universo. Um século e meio depois, o debate entre evolucionismo e criacionismo ainda está presente nos corredores das escolas e universidades de ciências. Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) mostra que a credibilidade da teoria evolução biológica entre os estudantes universitários ainda é baixa.

Quase mil alunos de ciências biológicas, filosofia, física, geografia, história e química participaram da enquete. Mais da metade (57,3%) ficou em cima do muro. Eles aceitam a evolução biológica, mas acreditam que isso não descarta a existência de um Deus criador, enquanto 8,9% dos entrevistados rejeitaram totalmente a teoria de Darwin e creem apenas versão da Bíblia para a criação. “Existe uma relação óbvia entre a religião dos estudantes e a aceitação do tema. Também descobrimos que, quanto menor o índice de escolaridade dos pais, maior a chance dos seus filhos rejeitarem a evolução biológica”, explica Rogério de Souza, um dos responsáveis pela pesquisa e professor de biologia da UEL.

A concepção de que o homem e o Universo foram criados por Deus é a base do criacionismo. Apesar de aceitar algumas conclusões de Darwin, os criacionistas usam a Bíblia como fonte de indícios para a evolução e tentam ligar o sobrenatural e a ciência. “Nossa linha de pensamento é baseada na aceitação da existência de planejamento, projeto, desígnio e propósito na natureza”, afirma Ruy Carlos de Camargo Vieira, presidente da Sociedade Brasileira Criacionista, com sede em Brasília.

Torcidas

Para a professora de biologia da Universidade de Brasília Rosana Tidon, que nesta terça-feira ministra uma palestra na instituição sobre o tema, não é possível conciliar criacionismo com evolucionismo. “É como torcer contra e a favor do Flamengo ao mesmo tempo. Os criacionistas acreditam que a criação ocorreu 6 mil anos atrás e que não houve desenvolvimento profundo entre as espécies. Os evolucionistas não aceitam a teoria da criação, porque sabem que os seres vivos têm ancestrais comuns.”

Ela acredita que alunos e até professores de ciências religiosos, em algum momentos, enfrentam um conflito na profissão. O fato de acreditar em Deus, no entanto, não faz do cientista um criacionista. “É possível conciliar ciência com religião, desde que uma parte não prejudique a outra. Se tem um Deus ou não por trás de tudo isso, a ciência não tem como comprovar. Ao mesmo tempo, um biólogo não pode negar a teoria de Darwin”, explica.

Conciliação

Criacionista, jornalista e autor do blog Criacionismo.com.br, Michelson Borges garante que o criacionismo não está baseado apenas na religião, mas também na ciência experimental. “Reconhecemos a Bíblia como fonte de princípios morais e de respostas satisfatórias para as perguntas fundamentais da humanidade, mas também temos estudos de biólogos criacionistas que pesquisam com outro ponto de vista”, diz. O relato bíblico é considerado fonte para essas pesquisas científicas. Segundo ele, ao contrário da concepção criacionista, o evolucionismo está baseado no fato de que a vida é resultado de causas puramente naturais. “Defendemos a ideia de propósito e planejamento, explicar a vida como resultado da ação criadora de um Deus que ainda hoje se relaciona com o ápice de sua criação: o ser humano.”

Afinal, o mundo surgiu do acaso ou do planejamento? O debate é complexo e está longe do fim. Segundo os professores de biologia, para conciliar melhor a questão da fé e da ciência é preciso investir na educação. “Falta formação nas universidades, e os jovens só começam a aprender sobre evolução biológica no final do ensino médio e de forma sucinta”, afirma Rosana Tidon.

Para Rogério de Souza, as aulas de ciência não oferecem respostas às dúvidas existenciais dos alunos, nem dá suporte suficiente para a teoria evolucionista. “Muitos acreditam que, ao aceitar a evolução biológica, terão que abdicar que uma crença divina e não é assim. Temos que nos cercar dos dados científicos da evolução biológica, chamando a atenção para os problemas que ainda precisam ser compreendidos. Ou seja, devemos dar aos nossos estudantes a chance de tirarem as suas próprias conclusões”, sugere o professor.

NOTA: O Michelson Borges é Jornalista da Casa Publicadora Brasileira, e já em seu blog quando comenta sobre a entrevista dada a jornalista Tatiana Sabadini, ele diz que o debate realmente vigora e que os meios de comunicação estão cada vez mais procurando os criacionistas para dar razões de suas convivções e fé. Temos ainda interessados em divulgar - e boa parte das vezes com imparcialidade - os dois lados que permeiam a mente dos estudantes. Mas também já podemos ver sérios problemas que poderam atingir até mesmo a liberdade de pensar de futuros estudantes. Rosana Tidon chegou a observar a falta de formação no tocante a teoria evolucionista já desde o ensino médio, e Rogério de Souza foi sincéro em afirmar que as aulas de ciências não respondem sobre a questão existencial, e também acredita ser necessário melhor suporte para a teoria da evolução nas salas de aula, mas tomara que o Rogério seja imparcial quando diz: "devemos dar aos nossos estudantes a chance de tirarem as suas próprias conclusões". Seria interessante se os alunos tivessem a seu dispor nas salas de aula a teoria criacionista, assim, eles poderiam melhor tirar suas próprias conclusões. Pois decidir sobre evolução e Criação quando só se estuda evolução, é puxar muita à sardinha.

Para ler a entrevista do Michelson Clique aqui.
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19 de jul. de 2009

Boa definição ufanista de darwinismo

Texto postado por Michelson Borges.
(Blog Criacionista)

A revista Ciência Hoje deste mês traz a matéria de capa "Darwin e a evolução - Uma teoria que mudou o mundo". O editorial apresenta, em minha opinião, uma das melhores definições do que é darwinismo: "Há 150 anos, era publicado um livro que mudaria radicalmente nossa concepção da natureza. A Origem das Espécies, do naturalista inglês Charles Darwin, propunha uma teoria avassaladora: a de que existiria um parentesco evolutivo entre todos os seres vivos, mostrando que os humanos e os macacos descendem de um ancestral comum.

"Dessa forma, Darwin rompia com o dogmatismo religioso que concebe a nossa espécie como fruto da criação divina. Com sua teoria, ele atribuía um novo significado para o ser humano: o produto de um processo natural responsável por toda a diversidade biológica existente.

"Mais e de um século e meio depois, a obra de Darwin se mantém atual e poderosa: ela sobreviveu a todos os testes a que foi submetida desde sua origem. Com a incorporação dos conhecimentos advindos da genética, ela atingiu sua maioridade e mostrou-se capaz de contestar as teorias criacionista e de desenho inteligente, limitando-as a alternativas que não estão à altura do evolucionismo por terem argumentos religiosos e não científicos."

Nota: Assim que tiver um tempinho, vou ler as matérias e comentar aqui. Mas alguns pontos se sobressaem logo de cara ao ler esse editorial ufanista: (1) a revista insiste na tese nunca empiricamente demonstrada de que TODOS os seres vivos descendem de um mesmo e desconhecido ancestral (macroevolução), extrapolando os dados observacionais que dizem respeito apenas à diversificação de baixo nível (microevolução); (2) tenta colocar Darwin como o herói que suplantou o "dogma" da Criação, como se essa doutrina bíblica basilar se tratasse de simples dogma religioso e não houvesse evidências de design inteligente na natureza; (3) afirma que o ser humano é "o produto de um processo natural responsável por toda a diversidade biológica existente", deixando claro que o evolucionismo teísta é darwinisticamente insustentável, uma vez que o darwinismo é puramente naturalista; assim, ou a pessoa é darwinista e exclui Deus de todo o processo, ou é criacionista e crê na criação sobrenatural dos primeiros tipos básicos de vida (afinal, vida só provém de vida - Pasteur) que, desde então, passaram por processos mais ou menos limitados de diversificação; (4) o texto afirma também que mais de um século e meio depois a obra de Darwin se mantém "atual e poderosa", ignorando completamente o crescente número de cientistas (não apenas criacionistas ou do design inteligente) que têm aderido à lista Dissent from Darwinism; (5) o texto ignora também o fato de que os avanços em genética e biologia molecular, na verdade, ajudaram a abrir uma caixa preta inconveniente para o darwinismo, uma vez que se provou ser a vida, mesmo a de uma "simples" célula, muito mais complexa do que se supunha no tempo de Darwin; tanto é assim, que alguns cientistas evolucionistas têm proposto a origem extraterrestre da vida, já que estão percebendo que nem em três bilhões ou mais de anos a geração espontânea da vida seria possível aqui na Terra; (6) num típico argumento darwinista evasivo, o editorial da conceituada revista polariza a questão como sendo um debate entre ciência (darwinismo) e religião (criacionismo/design inteligente); mas não é assim. Os teóricos do design inteligente nem sequer se referem a livros de tradição religiosa ou a Deus, apenas demonstram que existem evidências de teleologia (projeto) na natureza e não mero acaso cego. É fácil jogar para baixo do tapete os desafios científicos afirmando que o assunto não pode ser debatido por se tratar de ciência versus religião. Bem, já dá para imaginar o que vem nas matérias que vou ler...[MB]

(Michelson Borges)
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18 de jul. de 2009

A verdade é o objetivo de alguns, mas a maioria prefere as próprias ideias

(Diário da Saúde)

Filtramos o que queremos ver e ouvir

Nós nadamos em um mar de informações, mas filtramos a maioria daquilo que nós queremos ver e ouvir. Uma nova análise de dados de dezenas de pesquisas lança novas luzes sobre como nós selecionamos o que queremos e o que não queremos ouvir. O estudo descobriu que, embora as pessoas tendam a evitar informações que contradizem aquilo que elas já pensam ou acreditam, certos fatores podem levá-las a procurar, ou ao menos considerar, outros pontos de vista. A análise, publicada no exemplar deste mês do Psychological Bulletin, e feita por pesquisadores das universidades de Illinois e da Flórida, incluiu dados de 91 pesquisas envolvendo quase 8.000 pessoas.

Verdade versus comodidade

O estudo resolve um longo debate sobre se as pessoas evitam ativamente informações que contradizem o que elas acreditam, ou se elas são simplesmente mais expostas a ideias que se conformam à suas próprias porque elas tendem a se cercar de pessoas que pensam igual a ela.
"Nós queríamos ver exatamente em que medida as pessoas estão tentando procurar a verdade versus ficar confortavelmente com aquilo que já pensam," diz a psicóloga Dolores Albarracín, que coordenou o estudo, juntamente com seu colega William Hart.

Dois terços não querem ouvir o outro lado

Os estudos que eles revisaram geralmente perguntavam aos participantes sobre suas visões sobre um determinado tópico e então lhes permitia escolher se eles queriam ver ou ler informações que apoiavam suas opiniões ou informações com pontos de vista opostos. Os pesquisadores descobriram que as pessoas eram duas vezes mais propensas a selecionar informações que apoiam seus próprios pontos de vista (67%) do que levar em consideração uma ideia oposta (33%). Determinados indivíduos, aqueles com mentes mais fechadas, eram ainda mais relutantes em se expor a perspectivas diferentes, diz Albarricín. Eles optam por informações que correspondem aos seus pontos de vista em 75% das vezes.

Ética, política e religião

Os pesquisadores também descobriram, sem grande surpresa, que as pessoas eram mais resistentes a novos pontos de vista quando suas próprias ideias eram associadas com valores políticos, éticos e religiosos. "Se você está realmente comprometido com sua própria atitude - por exemplo, se você é um democrata convicto - você será muito mais propenso a procurar informações que se conformem à sua opinião," diz a pesquisadora. "Se as questões se relacionam com valores morais ou com política, cerca de 70% do tempo você irá escolher informações similares às suas, versus cerca de 60% do tempo se as questões se referirem a outros assuntos."
Talvez mais surpreendentemente, as pessoas com pouca confiança em suas próprias crenças são menos propensas a se expor a visões contrárias do que as pessoas que são muito confiantes em suas próprias ideias, explica Albarracín.

Interesse em conhecer opiniões contrárias

Determinados fatores também podem induzir as pessoas a procurar por pontos de vista opostos. Aqueles que precisam defender publicamente suas ideias, como os políticos, por exemplo, são mais motivados a aprender sobre os pontos de vista daqueles que lhes opõem. No processo, eles algumas vezes descobrem que suas próprias ideias evoluem. As pessoas são mais propensas a se expor a ideias opostas às suas quando elas são úteis de alguma forma. "Se você está comprando uma casa e realmente gosta da casa, ainda assim você irá inspecioná-la," diz a pesquisadora. Da mesma forma, não importa o quanto você goste do seu cirurgião, você poderá procurar uma segunda opinião antes de agendar uma cirurgia importante.

Perspectiva otimista

"Na maioria dos casos, parece que as pessoas tendem a permanecer com suas próprias crenças e atitudes porque mudá-las pode significar que elas não poderão levar a vida como a levam," diz Albarracín. "Mas é uma boa notícia que uma em cada três vezes, ou próximo disso, elas estejam dispostas a ouvir o outro lado," conclui Albarracín.

NOTA: A pesquisa apenas mostra resultados que o convívio testifica ser real. De fato hoje os "mentes fechadas" são pouco abertos a novas teorias ou outras opções, o que geralmente gera paradigmas, onde vamos propor ou tentar explicar algo de acordo com uma idéia já dominante, e assim nos privamos de pensar um pouco mais além, de ver novos horizontes, isso acontece em especial com as teorias dominantes, a sociedade científica e a mídia barram o criacionismo. E sem contar ainda com relação a religião. A religião Bíblica está sendo deixada de lado pelo fato apontado no artigo acima. É mais conveniente um religião que se encaixe nos moldes da vida do que a vida se encaixar no que pede a Bíblia. A vontade de Deus está perdendo lugar para o comodismo humano. Entretanto, serve de consolo o dado com relação a que existem ainda pessoas que estão dispostas a ouvir o outro lado. Acredito eu na idéia do jornalista Michelson Borges, em que precisamos de verdadeiros céticos, mas céticos de verdade, que duvidem até mesmo do próprio ceticismo. No entanto, que mesmo duvidando, estejam dispostos a crer conforme a evidência apresentada.
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14 de jul. de 2009

O Dogmatismo da Pré-seleção Natural

Pré-seleção natural


Randal Keynes, tataraneto de Charles Darwin, fala na 61ª Reunião Anual da SBPC sobre a importância dos manuscritos produzidos em 1844 pelo naturalista inglês para a criação da Teoria da Evolução, publicada 15 anos depois Thiago Romero escreve para a “Agência Fapesp”:
“As ideias de Charles Darwin e Alfred Wallace não produziram apenas uma simples teoria sobre as formas de desenvolvimento das espécies de animais e de plantas, mas sim um novo padrão que explica a origem de toda a proliferação da vida natural do planeta e as interdependências entre os diferentes organismos”, disse o ambientalista britânico Randal Keynes. A afirmação, feita durante a conferência “Darwin, a teoria da evolução e o meio ambiente” nesta segunda-feira (13/7), em Manaus, na 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), antecedeu outra declaração importante sobre a Teoria da Evolução.

Keynes é tataraneto do naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), que em 1859, no livro A origem das espécies, introduziu a concepção de evolução a partir de um ancestral comum por meio da seleção natural. Keynes também é um dos coordenadores da organização The Charles Darwin Trust, que promove o legado científico de seu antepassado. “Acredita-se que a teoria tenha sido criada em 1844, 15 anos antes de Darwin publicar o livro. Naquele ano, ele escreveu alguns textos explicativos sobre ela e, como ninguém conseguia entender sua escrita, alguns amigos próximos a transcreveram. Mas, como Darwin acreditava que o livro poderia ter sido atacado e rejeitado duramente se fosse publicado naquele momento, preferiu esperar mais alguns anos e juntar novas evidências”, disse. Segundo Keynes, o núcleo do pensamento de Darwin com relação à interação entre as espécies não se baseava em conceitos e ordens formais. “Pelo contrário, tinha como base uma visão de proliferação da vida natural dirigida por um processo que funciona por meio de formas misteriosas. Ia no sentido oposto dos taxonomistas da época, que acreditavam que a proliferação das espécies deveria ser entendida de forma disciplinada e racionalizada.” Para o ambientalista, cuja apresentação em Manaus foi inspirada nas ideias de Darwin e Wallace, não existe nenhum processo perfeito de adaptação entre as espécies e a natureza. “A natureza não possui perfeição por estar sempre mudando e em constante evolução. Nesse contexto, os conceitos de coadaptação entre as espécies propostos por Darwin são muito importantes para entendermos a biodiversidade do planeta”, disse.

“A extinção, para Darwin, é um processo natural e benéfico, uma vez que, se algumas espécies não fossem eliminadas, a natureza ficaria entupida. Temos que nos comprometer com as espécies ameaçadas e fazer tudo o que for possível para salvá-las, mas também precisamos nos ater às suas teorias para entender melhor o equilíbrio ecológico proporcionado pelo aparecimento de novas espécies e pela extinção natural de outras”, destacou. Keynes descreveu ainda algumas experiências de Darwin em florestas de cidades como Rio de Janeiro, em 1832, e Salvador, onde o naturalista inglês aportou no mesmo ano e vivenciou a experiência de caminhar pelo interior de uma floresta tropical. O tataraneto do naturalista também divulgou seu livro Darwin, sua filha e a evolução humana, em que aborda o relacionamento entre o cientista e sua filha Annie, cuja morte precoce o abalou profundamente.

Darwin Now

No mesmo dia, Keynes participou da abertura da exposição Darwin Now, que abriu a programação de atividades da SBPC Jovem, evento que ocorre paralelamente à 61ª Reunião Anual da SPBC – que termina no dia 17 – com o objetivo de promover atividades educativas voltadas para crianças e adolescentes. Organizada pelo Conselho Britânico, a exposição, inaugurada em São Paulo em abril, faz parte das comemorações do bicentenário do nascimento de Darwin e do 150º aniversário da publicação de sua obra mais famosa – cujo título completo é On the origin of species by means of natural selection, or the preservation of favoured races in the struggle for life (“Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural, ou a preservação de raças favorecidas na luta pela vida”). A exposição, que ficará em cartaz na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) até 17 de julho, com 16 painéis ilustrados e com textos em português e inglês, explora a vida e a obra de Darwin e o impacto que suas ideias provocam na comunidade científica e na sociedade. Um dos pontos destacados na mostra é que um dos motivos pelo qual as ideias conhecidas no século 19 perduraram ao longo do tempo seria a simplicidade da Teoria da Evolução, que tem três partes essenciais: quando indivíduos em uma população se reproduzem, a nova geração se assemelha à anterior; a semelhança entre as gerações é próxima, embora não perfeita, para que cada uma inclua novas variações em suas características; e deve haver ligação entre algumas dessas variações e as chances de um indivíduo estar mais bem equipado para sobreviver e se reproduzir.

Keynes lembrou que Darwin nunca esteve na região amazônica. Mas seu maior colaborador, Alfred Wallace, por sua vez, conhecido como o “evolucionista esquecido”, esteve na região de 1848 a 1852, em uma expedição científica que o tataraneto de Darwin considera de “fundamental importância” para a formulação da teoria. “Darwin não veio, mas Wallace passou quatro anos na Amazônia e suas contribuições foram decisivas para o anúncio da teoria da seleção natural para a origem das espécies. Mas tenho absoluta certeza de que, se Darwin tivesse visitado a Amazônia naquela época, ele teria ficado impressionado com a beleza natural da floresta”, disse. “E se hoje Darwin estivesse aqui entre nós e pudesse ver o que os seres humanos estão fazendo com a floresta certamente ele escreveria, com paixão, sobre a necessidade de avaliar o que o homem está fazendo com a Amazônia, levando em consideração a delicadeza desse ecossistema e antes que se destrua tudo o que a natureza nos presenteou”, afirmou.

NOTA: A teoria de Darwin no tocante a "seleção natural" já foi muito questionada, especialmente pelo fato de que a genética não estava com tantas informações com hoje. Darwin propôs um modelo de "pangênese", e a genética não encontra apoio para isso. Um dos pontos fracos no tocante a sua teoria é o fato de que a sobrevivência do mais apto não demonstra evolução, pois sendo os animais criados por Deus ou não, logicamente no mundo hoje depois do pecado, sobrevive o mais apto. E ainda levando em conta que durante o processo de adaptação por meio da seleção natural o organismo desenvolve novas estruturas que o tornam mais apto para sobreviver segundo a seleção natural, mas essa mudança na verdade pode ser uma desvantagem. Ariel em seu livro "Origens" ressalta: "Entre os mais sérios pontos de crítica está a falta de valor de sobrevivência de pequenas mudanças que não são úteis, a menos que possam funcionar num todo complexo que ainda não evoluiu. Por exemplo, ao evoluir um novo músculo num peixe que utilidade teria esse músculo até que tivesse um nervo conector para que pudesse contrair-se? E que seria a utilidade desse nervo até que o cérebro tivesse evoluído um sistema para controlar apropriadamente a atividade desse músculo?" Seguindo a teoria de seleção natural de Darwin, podemos inverter a utilidade dela, Ariel ainda ressalta: "A seleção natural pode servir na natureza para eliminar tipos aberrantes, mas não para produzir novas estruturas complexas [...]" Não é atoa que tal processo (seleção natural) "funciona por meio de formas misteriosas."
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Confiança na comunidade Científica

(Jornal da Ciência)

A confiança na comunidade científica, artigo de Roberto Romano

É preciso haver maior controle oficial sobre a base de currículos da Plataforma Lattes? Sim.

Roberto Romano, filósofo, é professor titular de ética e filosofia política na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor de, entre outras obras, "Moral e Ciência - A Monstruosidade no Século XVIII". Artigo publicado na “Folha de SP”: O Collège de France, instituído por Francisco 1º no Renascimento, foi planejado como antídoto contra a orgulhosa Sorbonne. Esta, na época, deveria ser chamada, segundo o historiador J. Le Goff, de "a corporação dos queimadores de livros". Nos cursos livres do Collège, os cidadãos encontram alimento para o intelecto sob os auspícios do Estado francês. Em data recente, ali se realizou um colóquio cujo tema era a autoridade. Dentre as palestras proferidas, é relevante -quando debatemos os abusos nas informações curriculares dos pesquisadores- um título expressivo: "Como justificar a autoridade científica?". Jean Bricmont fornece resposta complexa à questão.

Após analisar os vários campos do saber, ele discute as manipulações que atenuam a confiança do público nos operadores da ciência. É verdade que, "se considerarmos o fato de que a comunidade científica reúne seres humanos, e não anjos, as fraudes ou os erros são pouco frequentes e não deixam de ser denunciados". A desculpa seria eficaz. Mas, diz Bricmont, "o grande público não tem os meios para avaliar a frequência das fraudes ou dos erros, o que gera com certeza uma forte perda de legitimidade".

Da não confiança na autoridade científica, em termos coletivos, segue a fuga dos recursos. Quando governos tentam resolver a carência de verbas sentida pelos pesquisadores, apelam para as empresas nacionais ou transnacionais. Estas últimas não se preocupam em demasia com a autoridade dos cientistas, o que agudiza a desconfiança da opinião pública e da mídia nos procedimentos acadêmicos. Surgem, afinal, os elos entre ciência e indústria bélica, com frutos que, se considerados fatos recentes ocorridos na África e mesmo na Europa, são muito questionáveis. E conclui Bricmont: "Para ser digna de confiança, a comunidade científica, bem como a que a envolve e financia, deveria seguir regras éticas extremamente estritas. Mas não vemos como elas poderiam ser aceitas ou impostas". (Antoine Compagnon [ed.]: "De L'Autorité", Odile Jacob, 2008).

A Plataforma Lattes procura diminuir o abismo entre a opinião pública, os operadores do Estado e a comunidade científica, além dos setores que "a envolvem e financiam". Equívocos podem ser corrigidos, segundo sua maior ou menor gravidade (se próximos ou distantes da fraude), o que define uma questão técnica e moral. O programa em debate exige que as informações sejam assumidas pelos pesquisadores. Daí não ser possível, nele, usar a retórica canhestra do mundo político: "Eu não sabia". O rigor maior na correção das "distrações" é tarefa da "accountability", exigência a ser atendida pela comunidade acadêmica, tanto coletiva quanto individualmente. A publicidade oferecida pela Plataforma Lattes tem sido eficaz no reforço da transparência e da autoridade científica. Tanto é verdade que fraudes ou equívocos surgem e são corrigidos. Mas punições severas devem ser aplicadas contra os abusos. Na mesma linha, são desastrosos os atos sigilosos dos assessores "ad hoc" nas fundações que financiam pesquisas com recursos públicos. Sem revelar o nome de seus autores, pareceres enviesados surgem em todas as áreas do saber e cortam jovens promissores (cuja infelicidade é não pertencer a um grupo dominante nas coordenações das agências) ou derrubam inimigos minoritários nos campi.

É de admirar que o Ministério Público não tenha, até hoje, instaurado procedimentos para corrigir essa anomalia. Numa república, verbas oficiais não podem ser empregadas de maneira secreta. O Senado evidencia os malefícios de sigilos corrosivos, que também desvirtuam as fundações acadêmicas oficiais. Em plano mundial, existe farta bibliografia que demonstra os perigos da avaliação anônima efetivada por colegas (G. Moran: "Silencing Scientists and Scholars in Other Fields", Ablex, 1998).

Alem desses problemas internos da academia, temos no Brasil as ligações perigosas entre pesquisadores e poderosos. Aos intelectuais sobra prestígio, mas faltam votos, disse um filósofo. Políticos bem votados adoram ilustrar seu currículo com títulos acadêmicos. Daí a necessidade da maior prudência nesse particular.

NOTA: Para ver algo mais sobre o assunto, leia o artigo Cientistas admitem omissão em artigos.
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6 de jul. de 2009

Sem lugar para o criacionismo

No primeiro plano, o repórter James Randerson, do diário britânico The Guardian, autor de reportagem que destacou a declaração do biólogo Michael Reiss (ao fundo) sobre o criacionismo na escola (foto: Bernardo Esteves).

Discussão sobre cobertura do tema pela imprensa reúne biólogo e repórter envolvidos em imbróglio


Quase um ano após o afastamento de um cientista da Royal Society por supostamente defender o ensino do criacionismo nas escolas, um evento reuniu em Londres dois dos principais protagonistas do episódio. O autor da reportagem que desencadeou a crise que culminou com a demissão do cientista se desculpou publicamente por sua parcela de responsabilidade no mal-entendido.


Os dois participaram de um simpósio destinado a discutir como a imprensa deveria abordar o criacionismo, realizado durante a Conferência Mundial de Jornalistas de Ciência, que acontece esta semana em Londres, no Reino Unido.

A confusão surgiu a partir de uma declaração do biólogo Michael Reiss, então diretor de educação da Royal Society, a academia britânica de ciências, durante o festival da Associação Britânica para o Avanço da Ciência, realizado em setembro de 2008 em Liverpool.


Na ocasião, Reiss declarou que o criacionismo deveria ser abordado nas escolas de modo a esclarecer, principalmente para os alunos adeptos das ideias criacionistas, por que elas não têm validade científica e como o conhecimento científico é construído.


Na semana seguinte, Reiss – que também é padre da igreja anglicana, a principal do Reino Unido – foi forçado a deixar seu posto na Royal Society, menos pelo que disse e mais pela forma como o episódio foi coberto pela imprensa britânica. Jornais prestigiosos afirmaram que o cientista defendia o ensino do criacionismo nas aulas da ciência, o que criou um enorme desconforto na academia britânica.


Um dos pivôs da crise foi uma reportagem do diário The Guardian assinada pelo repórter de ciência James Randerson. Embora a matéria apresentasse de forma adequada o raciocínio de Reiss, ela não era nada ponderada na abertura e no título – “Ensine criacionismo, diz cientista eminente”. Nos dias seguintes, o episódio foi noticiado por outros veículos com grande alarde.


Mea-culpa


Sentado ao lado de Reiss no simpósio desta semana, Randerson reconhece que errou a mão em sua matéria, mesmo não tendo sido o responsável pela escolha do título. “Lamento que essa matéria tenha contribuído para o afastamento de Reiss da Royal Society”, reconheceu o jornalista, hoje editor do portal de meio ambiente do Guardian na internet. “Senti-me bastante culpado por isso.”


Reiss manifestou não guardar rancor do episódio. Ele disse à CH On-line que, embora tenha deixado a academia britânica contra a sua vontade, seu afastamento teve ao menos um lado positivo. “Pude voltar imediatamente à Universidade de Londres como professor de educação científica com dedicação integral.” Reiss dirige hoje o Instituto de Educação dessa universidade.


Compromisso com a verdade[!]


Na calorosa discussão promovida no simpósio, predominou a visão de que a imprensa não deve dar o mesmo espaço a teorias evolucionistas e a visões criacionistas. “Os jornalistas de ciência não devem ser obrigados a tratar o criacionismo como uma visão válida em nome do equilíbrio só porque muitos acreditam nisso”, argumentou Randerson, que, além de jornalista, é doutor em genética e evolução.


Sua visão foi corroborada pelo jornalista Steve Mirsky, da revista Scientific American, dos Estados Unidos. Mirsky defendeu o compromisso do jornalista com a verdade. “Não podemos apenas apresentar visões opostas do mundo: temos a obrigação de esclarecer ao leitor que uma delas é a verdadeira.”


Michael Reiss ressaltou que consequências perigosas podem advir de visões equivocadas sobre a ciência, como a crença de que o HIV não causa Aids e de que as mudanças climáticas não são acarretadas por atividades humanas.


No entanto, após cinco anos ensinando ciência em escolas britânicas, Reiss não acredita que os professores consigam influenciar a crença dos alunos. “Aprendi que não tenho o poder de mudar a cabeça dos criacionistas. Seria interessante saber dos jornalistas que escrevem sobre esse tema se eles acham mesmo que podem mudar a mente das pessoas.”


Carla Almeida (*)

Especial para a CH On-line

Bernardo Esteves

Ciência Hoje On-line


NOTA: É incrível a intolerância com relação a qualquer coisa que esteja ligado a religião, melhor se expressando, a fé. Uma vez que tanto a teoria criacionista como a evolucionista usam de evidências para o que acreditam, e de acordo com os métodos de comprovação científica, a teoria evolucionista é apenas teoria, e não fato. Ambas deveriam ser abordadas em sala de aula. O criacionismo não competi para ser único nas aulas de ciência, os criacionistas querem o livre ensino de ambas as teorias. E ainda levam a teoria criacionista como não científica, pelo "envolvimento" com a religião, uma vez que a teoria usa de provas científicas, e assim como a evolução, quando algo não pode ser provado em laboratório, usa-se dos demais recursos: teorias, filosofia, especulações e tudo mais... Para saber mais sobre o acontecido na Royal Society, clique aqui.
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