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2 de set. de 2009

Os adventistas e o legalismo

(Na Mira da Verdade)

Foram muitas as vezes que li e ouvi que “os Adventistas do Sétimo Dia são legalistas”, ou seja: fazem da lei um meio de salvação. Até mesmo o Dr. Russell Shedd, fundador das Edições Vida Nova, em seu ótimo livro (um dos melhores que já li sobre o assunto) “Lei, Graça e Santificação”, fez um trocadilho para afirmar que legalismo também é sinônimo “adventismo” (considerei o livro ótimo e não excelente por causa dessa falha dele que vem de uma ideia preconcebida).


Como já ficou claro num dos artigos disponíveis neste blog, a regra de fé e prática dos Adventistas do Sétimo Dia é a Bíblia Sagrada. Faço esse lembrete para explicar o porquê de eu usar novamente no presente texto citações de Ellen G. White para expor o pensamento adventista sobre a Salvação pela graça. Afinal, por ser uma pessoa que viu de perto o movimento adventista e suas transformações (para o bem, crescendo no conhecimento e na graça de Cristo – 2 Pedro 3:18), sabe melhor que ninguém nosso posicionamento sobre a salvação.


Não negamos o fato de que nossos pioneiros (não todos, para ficar bem claro) davam uma grande ênfase à Lei de Deus nas pregações e debates dos quais participavam. Mas, isso não indica que eles eram legalistas; apenas estavam enfatizando um assunto que “não era mais assunto” no meio evangélico. Daí, a necessidade de falar da Lei. Daí, um dos motivos de considerarem os adventistas “legalistas”. Porém, se atentarmos para esse fato histórico e para os textos de Ellen White que expressam a posição dos observadores do Sábado a respeito da graça, tudo ficará esclarecido e ninguém precisará mais dizer que “os adventistas ensinam que a Lei é o meio de salvação no lugar de Cristo”. Aceitamos como Verdade Absoluta que Cristo é o único caminho para a salvação (João 14:6), que esta é um dom de Deus, vem pela fé na graça de Jesus e não pelas obras (Efésios 2:8, 9). Cremos como Paulo que, se a justificação (perdão) é pela Lei, “Cristo morreu em vão” (Gálatas 2:21).


Todavia, não cremos numa “graça barata” – termo usado de maneira inteligente pelo Dr. Russell Shedd. Sendo que o cristão transformado se torna “nova criatura” (2 Coríntios 5:17) e que, sob o Novo Concerto de Salvação eterna a Lei é escrita no coração (Hebreus 8:10), isso deixa claro que, mesmo sendo salvos unicamente pela fé em Cristo, como consequência da transformação (a santificação, que leva a vida toda. Sem a santificação ninguém verá a Deus – Hebreus 12:14), praticaremos boas obras (Efésios 2:10). Não para “comprar” a salvação, mas, como resultado do coração transformado e que ama a Cristo (João 14:15).


Detalhe: a observância do Sábado como dia de guarda, em memorial ao Deus Criador (Êxodo 20:11), ao Salvador (Deuteronômio 5:15) e em memória ao repouso na graça que podemos desfrutar todos os dias (Hebreus 4), faz parte dos mandamentos (Êxodo 20:1-17; Deuteronômio 5:1-21). Pense nisso com carinho à luz de Tiago 2:10.


Resumindo:


• A Lei não justifica (não perdoa);
• A Lei não salva (é Cristo quem o faz)
• A Lei é o RESULTADO de um coração transformado pelo Espírito Santo (Hebreus 8:10; Romanos 8; Efésios 2:10; João 3, etc.) e não o MEIO de irmos ao Céu. A Lei é o RESULTADO de nossa conversão porque seremos julgados pelas obras (Mateus 16:27; Apocalipse 22:12), que demonstram o tipo de fé que temos.


Precisamos ter MUITO cuidado com a teologia de que a graça de Cristo nos liberta para sermos “libertinos”, ao invés de nos libertar do pecado. Esse ensino não é graça; é uma desgraça.


Como disse o autor Martin L. Jones: “se a graça que você recebeu não lhe ajuda a guardar a Lei, você não recebeu a graça”. É a mais pura verdade, pois, a verdadeira graça não é uma “graça barata”: ela transforma.


A seguir, os textos de Ellen White que mostram o posicionamento oficial dos adventistas sobre a Salvação pela graça. Oro para que você, ao se deliciar com tais citações que estão em total harmonia com as Escrituras, tenha plena convicção do amor de Deus por você, a ponto de vir a este mundo morrer em seu lugar (João 3:16), pagar a sua dívida para com a Lei dEle e lhe livrar da maldição da Lei (Gálatas 3:13): a morte eterna do pecador (Romanos 3:23; 6:23).


“Deus não desanima conosco por causa de nossos pecados. Podemos cometer erros e ofender o Seu Espírito; mas quando nos arrependemos e vamos ter com Ele com o coração contrito, Ele não nos faz voltar”. [Isso lembra João 6:37!]


“Coisa alguma senão a Sua justiça [de Cristo] pode dar-nos o direito de uma única das bênçãos do concerto da graça.”


“Não devemos pensar que nossa própria graça e méritos nos salvem; a graça de Cristo é a única esperança de salvação.”


“Olhamos para nós mesmos, como se tivéssemos poder para nos salvar; mas Jesus morreu por nós porque somos incapazes de isso fazer. NEle está nossa esperança, nossa justificação, nossa justiça.”


“Se sois conscientes de vossos pecados, não dediqueis todas as vossas faculdades a lamentá-los, mas olhai [para Jesus – aqui ela comenta João 3:14, 15] e vivei.” [Que conforto para o pecador cansado!]


“Ninguém que confie em Seus méritos [de Jesus] será deixado a perecer”.


“Vinde a Jesus, e tereis descanso e paz. Podeis ter agora mesmo essa bênção. Satanás sugere que sois desamparados, que não podeis abençoar-vos a vós mesmos. E é verdade; sois desamparados. MAS exaltai a Jesus diante dele: ‘Tenho um Salvador ressurgido. NEle confio, e Ele nunca permitirá que eu seja confundido. Em Seu nome triunfarei. Ele é minha justiça e minha coroa de glória’. Que ninguém aqui julgue que seu caso seja esperança; porque não é.”


“Precioso Salvador! Seus braços estão abertos para receber-nos, e Seu grande coração de amor está à espera para nos abençoar.”


“Jesus tem prazer em que O procuremos da maneira como estamos: pecadores, desamparados, dependentes. O arrependimento, assim como o perdão [justificação], é um dom de Deus… é a graça de Deus que torna o coração penitente.” [arrependido, desejoso de perdão]


“… só encontrarão descanso quando depuserem seus fardos aos pés de Jesus”.


“Nada podemos fazer, ABSOLUTAMENTE NADA, para nos recomendar ao favor divino… mas quando, como seres erradios e pecadores, nos chegamos a Cristo [não à Lei], encontramos descanso em Seu amor. Deus aceitará a cada um dos que se chegam a Ele…”.


“Pode não haver êxtase de sentimentos, mas haverá uma duradoura e pacífica confiança.”


[Fonte: Ellen White, Testemunhos para a igreja, cap. 5: “Cristo nossa justiça”]


Convido aos irmãos de todas as igrejas a se perguntarem: onde há “salvação pelas obras” nessas citações?


Espero que, após esses esclarecimentos, nenhum irmão sincero caia na “tentação” de dar crédito a comentários de autores que nada (ou pouco) sabem sobre a teologia adventista.


(Leandro Quadros)



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